A simplicidade da complexidade

Vista aérea de Londres

Vista aérea de Londres, metrópole global do Reino Unido – Créditos: Thiago Bittencourt

O intenso processo de urbanização que o mundo contemporâneo sofre representa o aumento da complexidade das cidades. As áreas rurais têm atuado como repulsoras de população, a qual se desloca primordialmente para as grandes aglomerações urbanas. Com isso, cada vez mais os centros urbanos agregam novas e diferentes funções sociais. Entretanto, tais funções não servem como garantia de felicidade para os habitantes das grandes metrópoles.

O espaço metropolitano traz angústias e preocupações que inviabilizam o bem-estar social. Com o avanço do processo da globalização a partir do final do século XX, os habitantes de tal espaço tiveram que se adaptar aos custos da integração global. O constante temor do desemprego e o estresse provocado pelo consumismo excessivo favorecem o individualismo. Na sociedade urbana de consumo, o dinheiro está diretamente ligado à felicidade, o que transforma sentimentos humanos em meros interesses econômicos.

Além disso, o cotidiano nas cidades é planificado ao extremo. O indivíduo que reside no ambiente citadino é focado no trabalho. Do processo de migrações pendulares até o planejamento em relação ao trânsito, há uma consequência: desconfigura-se a estrutura familiar, que seria apoio emocional e afetivo aos cidadãos de tais cidades. Adicionalmente, o entretenimento da população urbana é deixado em segundo plano. Com menos interações pessoais entre seus habitantes, a felicidade torna-se uma realidade distante dos locais urbanizados.

Em contrapartida, o ambiente rural propicia a simplicidade requerida para o aprofundamento das relações sociais no século XXI. Fora do complexo e problemático contexto urbano, sofredor em grande parte da questão da macrocefalia urbana, há espaço para o convívio social. A pessoa que antes não conseguia escapar das tensões das grandes metrópoles, tem a opção de desenvolver um estilo alternativo de vida. Dessa forma, na qual o caráter supera interesses irrisórios, o bem-estar pode ser plenamente alcançado.

Portanto, percebe-se que a vida complexa não simboliza a obtenção da felicidade. O espaço citadino apresenta frustrações e falsos valores morais que impossibilitam o pleno convívio humano. Apenas com a suavização do processo de urbanização a complexidade da vida urbana pode ser reduzida. Consequentemente, a felicidade ficaria mais próxima das grandes cidades. Por outro lado, a integração mundial por meio do predominante sistema capitalista já indica que a proliferação do modo de vida urbano não será reduzida tão rapidamente assim.

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