Por que o Estado-nação tem perdido poder?

Este mapa representa todos os aeroportos conhecidos no mundo. O processo de globalização foi beneficiado pelos aprimoramentos nos meios de transporte, e, atualmente, é uma ameaça ao Estado-nação. (Créditos: Open Flights)

O processo de globalização, como descrito pelo geógrafo brasileiro Milton Santos, é caracterizado por três aspectos diferentes: “fábula, perversidade e possibilidade”. O primeiro alega que os países integrar-se-ão mais, logo suas sociedades e economias prosperarão. De acordo com o segundo, essa prosperidade é prejudicada, pois se intensificam as desigualdades sociais, degrada-se o meio ambiente, e a mecanização transforma o mercado de trabalho. O terceiro cenário, entretanto, é mais otimista, uma vez que reafirma o potencial para a construção de um mundo melhor – não idealizado, porém suficientemente bom. Entre as consequências da “globalização perversa”, está a perda de poder dos Estados-nação, um fenômeno contemporâneo.

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Análise – Discurso de Dilma Rousseff na ONU

Dilma Rousseff discursando para a comunidade international durante a 68ª Assembleia Geral da ONU. (Créditos: The Guardian / Spencer Platt / Getty Images)

Rousseff e sua equipe devem agradecer pelo fato de que o discurso do Brasil é tradicionalmente o primeiro a acontecer. Em vez de discursar para uma multidão de chefes de Estado e diplomatas enquanto eles estão entediados, ela pode argumentar de maneira mais entusiástica. Dentre os argumentos dela, há uma breve referência ao ataque terrorista no Quênia, o esperado repúdio às atividades ilegais de espionagem cometidas pela NSA e um apelo para a solução diplomática da crise síria. Dada a importância de inúmeros assuntos debatidos por Dilma, é essencial reconhecer como as palavras dela são suficientes para ilustrar os interesses brasileiros a curto prazo. Este artigo irá destacar as principais partes do discurso, assim como comentar as intenções delas.

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As revoluções industriais e a economia global

CH - Rev. Ind. - SP

Foto da Bolsa de Valores de São Paulo. Atualmente, as economias de diversos países já alcançam níveis globais. (Créditos: Rafael Matsunaga)

O homem, em sua essência, como definido por Thomas Hobbes, foi caracterizado por viver independente de outros. Como qualquer ser vivo, ele era amaldiçoado pela competição, problemática que o fez buscar reunir-se em sociedade para ter a sua vida assegurada. Esses acontecimentos foram propostos e estudados por inúmeros filósofos, dentre os quais Hobbes, denominados contratualistas. Para eles, a elaboração de um contrato social – possuidor de limitações à liberdade humana – permitiria que todos obtivessem vantagens. Entretanto, esse quadro de prosperidade mútua não é visto atualmente. A economia global, ainda que interligada e evoluída, é palco de intensas disputas, principalmente em tempos de crise. O desenvolvimento das diversas revoluções industriais é crucial para compreender as razões para isso.

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A polêmica relativa à Verizon e ao PRISM

Imagem do Presidente Obama dirigindo-se aos parlamentares americanos. O Congresso dos EUA afirmou que seus membros não tinham conhecimento do PRISM. (Fonte: Lawrence Jackson – Casa Branca)

Recentemente, o governo dos Estados Unidos envolveu-se em outra crise. Aproximadamente ao mesmo tempo, dois jornais publicaram reportagens que denunciavam uma suposta invasão institucionalizada de privacidade. A primeira descrevia como a ANS – Agência Nacional de Segurança – conseguiu um mandado judicial para obter dados telefônicos de toda a clientela da Verizon, uma das maiores operadoras americanas. A segunda expunha um documento ultrassecreto, o qual apresentava detalhes de um programa chamado PRISM, que teria acesso direto aos servidores de diversas empresas. O presidente Barack Obama defendeu-se, ao afirmar que o monitoramento de cidadãos é necessário para se garantir a segurança no país. As companhias da Internet, entretanto, recusam ter cooperado com a ANS sobre esse assunto. Então, ao que se deve a controvérsia relativa à investigação de possíveis ameaças à segurança?

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A Coreia do Norte e o impasse diplomático

Cartaz divulgado pelo governo da Coreia do Norte. O militarismo sempre foi uma prática adotada no país.

Cartaz divulgado pela Coreia do Norte representando a recorrente prática do militarismo. (Créditos: John Pavelka)

A Coreia do Norte é um país de contradições. Constrói grandes monumentos para seus líderes, porém não consegue alimentar a própria população. Possui o exército mais numeroso do mundo, com aproximadamente 1 soldado para cada 25 habitantes, mas a superioridade técnica não é presente. Entretanto, a maior contradição que a nação ostenta é relativa a seu nome oficial, República Democrática Popular da Coreia. As definições oficiais de república e democracia são:

República: “Forma de governo em que o chefe do Estado é eleito pelos cidadãos ou seus representantes, tendo a sua chefia duração limitada.” – Dicionário da Língua Portuguesa

Democracia: “É um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos, direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos.” – Adaptado de: Wikipédia

É notório que o país asiático não se enquadrou, ao longo de sua existência, em nenhum dos dois principais conceitos presentes no seu nome. O poder sempre foi centralizado nas mãos dos descendentes de Kim Il-Sung, monarca que não alcançou o poder por meio de iniciativa popular. Além disso, os mandatos presidenciais têm duração indeterminada, podendo ser até a morte de cada líder. Logo, percebe-se que o Estado norte-coreano está longe de corresponder às expectativas provocadas por sua nomenclatura. No entanto, para o entendimento da situação norte-coreana, é necessário compreender tanto a história do país quanto seus interesses atuais.

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